Dolores Aguirrezabala (1927) é uma distinta pintora basca que dedicou mais de sete décadas à mestria da aguarela. Desenvolveu uma linguagem pessoal definida pela “sobriedade” e “economia de meios”, sendo frequentemente descrita pela crítica como pintando com “esparsa elegância”. O seu estilo é profundamente introspectivo, utilizando a transparência do meio para criar paisagens atmosféricas que priorizam o volume e a luz em detrimento do detalhe. A sua paleta é caracteristicamente “setentrional”, empregando frequentemente tons sérios e suaves, cinzentos, azuis e verdes diluídos, para capturar a humidade e a “melancolia escorregadia” dos ambientes basco e riojano.
Dolores Aguirrezabala é uma figura celebrada na cena espanhola da aguarela, com uma carreira que se manteve ativa até aos seus 90 anos. O seu trabalho foi exibido internacionalmente em Paris, Nova Iorque e Palm Beach, e recebeu inúmeros prémios, incluindo o Diploma de Honra no Salão Internacional de Biarritz (1980) e o Primeiro Prémio no Concurso Nacional de Aguarela de Caudete (2002). Mais recentemente, em 2025, a Fundación Caja Rioja em Logroño organizou uma grande retrospetiva intitulada “Memórias de uma vida” (Memórias de uma Viagem), cimentando o seu legado como mestra da sensibilidade atmosférica.

